Saiba como prevenir o câncer de pâncreas

Por que quase nada funciona contra o câncer de pâncreas?

O câncer de pâncreas continua sendo um dos diagnósticos mais desafiadores da oncologia. Mesmo com os avanços em terapias-alvo, imunoterapia e medicina personalizada, esse tumor responde mal à maioria dos tratamentos e apresenta taxas de sobrevida que evoluem lentamente. Um estudo recente publicado na revista Cell Reports ajuda a explicar essa resistência.

Utilizando técnicas avançadas de mapeamento espacial e analisando tumores diretamente no tecido original, pesquisadores demonstraram que o câncer de pâncreas não é uma doença uniforme. Dentro de um mesmo tumor coexistem diferentes tipos de células cancerígenas, organizadas em microambientes próprios, com regras biológicas distintas. Segundo o oncologista Stephen Stefani, os autores conseguiram quantificar uma heterogeneidade extrema tanto das células tumorais quanto do ambiente ao redor delas.

O estudo mostrou que, mesmo em tumores ainda não tratados, há um espectro de subtipos celulares que vai de células “clássicas” a formas mais agressivas, chamadas “basais”, convivendo lado a lado no mesmo paciente. Essas subpopulações desenvolvem mecanismos de resistência variados, o que dificulta que um único medicamento seja eficaz contra todas elas.

Além da diversidade celular, o câncer de pâncreas apresenta uma arquitetura hostil ao tratamento. Grande parte do tumor é composta por uma densa rede de colágeno, fibroblastos e matriz extracelular — fenômeno chamado desmoplasia. Essa malha compacta dificulta a penetração de quimioterápicos e anticorpos, que chegam ao tumor em menor concentração e de forma irregular. O aumento da pressão interna também reduz a circulação sanguínea local, limitando ainda mais a ação dos medicamentos.

Outro fator importante é a hipóxia, condição de baixa oxigenação. Algumas células tumorais se adaptam a esse ambiente e se tornam ainda mais resistentes. A baixa perfusão compromete tanto a quimioterapia quanto a imunoterapia, já que células de defesa também têm dificuldade de penetrar no tumor.

Na prática clínica, ainda é difícil definir com precisão qual subtipo predomina em cada paciente. Muitas vezes, a escolha do tratamento se baseia mais na tolerância aos efeitos colaterais do que em características biológicas detalhadas do tumor. Estudos em modelos animais mostram resultados promissores ao combinar estratégias que atacam tanto a célula tumoral quanto o microambiente que a protege, mas esses achados ainda precisam ser confirmados em ensaios clínicos rigorosos.

Com informações do g1

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