De acordo com o oncologista Cleydson Santos, do hospital Mater Dei e das Obras Sociais Irmã Dulce, ambos em Salvador, o diagnóstico precoce do câncer de rim pode garantir até 100% de chance de cura. A recomendação é que todos os anos os pacientes façam um ultrassom abdominal para detectar nódulos suspeitos ainda em estágio inicial.
O câncer de rim, como outros tumores, tende a ser silencioso. “Ele não se manifesta de forma tão clara quanto um nódulo na mama ou sangramentos intestinais”, afirma o médico. Na maioria dos casos, a descoberta acontece por acaso, durante exames solicitados por outros motivos.
Quando os sintomas aparecem, geralmente a doença já se encontra em estágio avançado — em 25% dos casos, já com metástase. Isso ocorre, segundo Cleydson, não por negligência dos pacientes, mas por conta da natureza traiçoeira do câncer renal.
Entre os sintomas mais comuns estão presença de sangue na urina, dor na lombar, anemia, fraqueza e perda de peso. Porém, exames de sangue como ureia e creatinina podem estar normais, dando ao paciente uma falsa impressão de saúde. Isso acontece porque o câncer renal nem sempre compromete a função do órgão.
O especialista recomenda que o ultrassom abdominal seja incluído no check-up anual. A medida simples pode fazer toda a diferença, especialmente para homens entre 50 e 70 anos, grupo com maior incidência da doença. Obesidade, sedentarismo, tabagismo e histórico familiar também aumentam os riscos.
Embora rara em crianças, a doença pode surgir em adultos na forma de cistos ou nódulos. “A maioria dos cistos não é cancerígena, mas alguns tipos, como os complexos ou nódulos sólidos, devem ser investigados”, alerta. O subtipo mais comum é o carcinoma de células claras, responsável por 85% dos casos.
Quando a doença se espalha, pode atingir o outro rim, pulmões, fígado, ossos e até o sistema nervoso. Mesmo em casos com metástases limitadas, ainda há chances de cura. “Investimos em cirurgias para remoção das lesões e, com isso, buscamos garantir uma sobrevida a longo prazo. Cerca de 5% a 15% dos pacientes conseguem controlar a doença”, afirma.
O tratamento costuma ser cirúrgico, podendo preservar parte do rim. Em alguns casos, é indicada imunoterapia para ativar o sistema imunológico. Já em situações mais avançadas, o tratamento se baseia em medicamentos orais, pois o câncer renal é resistente às quimioterapias convencionais.
Cleydson destaca ainda a desigualdade entre os tratamentos disponíveis na rede pública e na privada. “Enquanto há acesso a novos fármacos na rede privada, muitos pacientes do SUS não têm nenhum tratamento quando a doença está avançada. É preciso lutar para que todos tenham acesso ao mesmo padrão de cuidado.”
Com informações do Portal Terra
Resumo adaptado por Projeto AMIGOS / Imagem Freepik
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