Alerta: Câncer de pulmão cresce entre mulheres e não fumantes

O câncer de pulmão, líder em mortes por câncer no mundo, está aumentando entre mulheres e não fumantes, segundo estudo da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). Publicado na The Lancet Respiratory Medicine, ele aponta a poluição do ar como principal fator, com cerca de 200 mil casos de adenocarcinoma – tipo mais comum em não fumantes – associados à exposição a poluentes em 2022. A China lidera, mas o problema é global. No Brasil, 10% a 15% dos casos ocorrem em não fumantes, e a incidência pode crescer, alerta o oncologista Luiz Henrique Araújo.

A redução do tabagismo, impulsionada por campanhas antitabaco, diminuiu casos ligados ao cigarro, mas o adenocarcinoma, que cresce mais lentamente e é diagnosticado em estágios avançados, ganhou destaque. Em mulheres, representa 59% dos casos, contra 45% em homens. Fatores como mutações genéticas (EGFR, ALK, ROS1) e predisposição hereditária, especialmente na linhagem materna, elevam o risco. O estrogênio pode interagir com mutações no gene TP53, aumentando a chance de tumores.

A poluição, com partículas de até 2,5 milésimos de milímetro, causa inflamação nos pulmões, levando a mutações que favorecem o câncer. Mulheres com doenças autoimunes, como lúpus, também têm maior risco devido à inflamação crônica. A oncologista Patrícia Taranto destaca que até 10% dos casos podem estar ligados à poluição.

O diagnóstico tardio é um desafio, já que os sintomas – tosse persistente, falta de ar, perda de peso – aparecem em fases avançadas. Para fumantes e ex-fumantes acima de 55 anos, recomenda-se tomografia anual. Para não fumantes, a conscientização sobre riscos ambientais é crucial.

Medidas como reduzir emissões de poluentes e melhorar a qualidade do ar são urgentes. A OMS reforça que a poluição é uma das principais causas ambientais de câncer. No Brasil, onde o câncer de pulmão causa cerca de 80% das mortes em fumantes, a Fundação do Câncer estima gastos de R$ 9 bilhões anuais com a doença.

Conteúdo completo no Estadão / imagem Freepik


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