Jovem consultando exame de colonoscopia para diagnóstico precoce.

Câncer no Brasil precisa de resposta rápida: foco em prevenção, diagnóstico e acesso

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) prevê mais de 600 mil novos casos de câncer para 2025. Com isso, a luta contra a doença no Brasil passa, obrigatoriamente, por mudanças estruturais, comunicação eficiente, inovação tecnológica e políticas públicas robustas. Esses e outros temas foram debatidos no painel “Prevenção, diagnóstico e tratamento no Brasil: avanços, desafios e sustentabilidade”, durante o evento Retratos do Câncer, que reuniu especialistas para discutir caminhos possíveis diante do avanço da doença no País.

A população brasileira compreende que a maioria dos cânceres está ligada a causas externas, como tabagismo, obesidade e infecções virais, mas a resposta entre especialistas da área é unânime: a informação ainda não chega de forma ampla, clara e acessível.

“Para nós, profissionais de saúde, isso é evidente. Mas a mensagem não está consolidada entre a população”, afirmou Luisa Lina Villa, chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). A bióloga e bioquímica exemplifica que o tabaco continua sendo um grande vilão relacionado ao surgimento da doença, responsável por cerca de 30% dos tumores.

Prevenção em foco

A prevenção deve ser tratada como prioridade – algo que inclui a adoção de hábitos saudáveis, como evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, a ingestão de álcool e o tabagismo.

Angélica Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), apresentou dados preocupantes: mais de 50% da população brasileira está acima do peso e 20% têm obesidade, fator associado a diversos tipos de câncer. Para ela, o exemplo do combate ao tabagismo deve inspirar novas políticas públicas de prevenção. “Educar individualmente é complexo em um país com dimensão continental, mas medidas de saúde pública funcionam”, disse.

Entre as estratégias mais eficazes de prevenção, está a vacinação contra o HPV, que pode evitar casos de cânceres do colo do útero, canal anal, pênis, vulva e orofaringe. “Temos uma ferramenta extremamente efetiva, mas, se a vacina não chegar ao braço, não atingiremos as metas”, alertou Luisa. O Brasil, que aderiu à estratégia global da OMS, tem o compromisso de eliminar o câncer do colo do útero até 2030.

Diagnóstico precoce

Enquanto campanhas educativas ainda enfrentam resistência, comprometendo ações de prevenção, barreiras culturais e estruturais também atrasam diagnósticos. Antônio Antonietto, diretor médico do A.C.Camargo Cancer Center, explicou que, quando detectados no estágio 1, mais de 90% dos cânceres podem ser controlados ou curados. Em estágios avançados, a sobrevida é menor – e o custo do tratamento dispara: em alguns casos, o valor pode ser 15 vezes maior.

Mas como levar exames e consultas a uma população que vive em um país extenso como o Brasil? Para Andreia Melo, chefe da Divisão de Pesquisa Clínica do Inca, a resposta está em políticas públicas organizadas e sustentáveis. “Não adianta fazer ações pontuais. É preciso planejamento, infraestrutura e cobrança da sociedade”, destacou.

Nesse cenário, a tecnologia surge como aliada. Angélica Nogueira citou o potencial da inteligência artificial e da telemedicina para acelerar diagnósticos, enquanto Antonietto mencionou uma iniciativa já em prática para análise de exames, que conecta centros de referência no tratamento de câncer ao sistema público, garantindo diagnósticos mais precisos.

Testagem genética

Outro ponto central da discussão foi o papel da testagem genética na prevenção. Embora apenas 5% a 10% dos cânceres tenham origem hereditária, identificar mutações pode salvar vidas. “Conhecer uma mutação de alto risco permite adotar estratégias mais eficazes e reduzir consideravelmente riscos”, afirmou Angélica.

Com o aumento de casos entre jovens e o envelhecimento da população, o desafio se torna ainda maior. “A informação é nossa principal arma. E ela precisa chegar cedo, antes que os hábitos de risco se consolidem”, conclui Luisa.

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O que está em jogo

Tecnologia, políticas públicas e educação podem transformar a realidade do câncer no País

→ 600 mil novos casos são previstos em 2025, segundo o Inca.

→ Mais de 50% da população está acima do peso e 20% têm obesidade, fatores de risco relevantes.

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→ 90% dos cânceres em estágio inicial têm controle ou cura, mas a maioria ainda é diagnosticada tardiamente.

→ O tratamento em estágios avançados pode custar até 15 vezes mais.

→ A vacina contra HPV pode prevenir até seis tipos de câncer, mas a cobertura vacinal ainda é baixa.

Com informações do Estadão | Imagem Freepik

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