Em 2009, José Geraldo de Souza, então supervisor de segurança, acreditava que estava prestes a se livrar das dores crônicas na coluna com uma cirurgia de hérnia de disco marcada. Porém, três dias antes do procedimento, recebeu a notícia de que havia um problema ainda maior: seus exames apontaram um câncer de próstata em estágio avançado. Aos 55 anos, o diagnóstico caiu como um choque. “Pensava que já estava com um pé na sepultura! Fiquei muito assustado e com medo de que o câncer tomasse meu corpo”, relembra.
Após a orientação médica, José Geraldo iniciou o tratamento com radioterapia e passou por uma cirurgia de remoção da próstata. A doença desapareceu, mas trouxe um efeito colateral que mudaria sua rotina: a incontinência urinária. Segundo o urologista Cristiano Gomes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (Seção São Paulo), o problema pode ser transitório nos primeiros meses, com melhora por meio da fisioterapia pélvica. No entanto, quando persiste, muitas vezes só a cirurgia pode trazer solução.
No caso de José Geraldo, a incontinência se prolongou e impactou sua vida profundamente. Ele chegou a usar de seis a nove fraldas por dia em seus plantões de 13 horas. O desconforto o afastou do trabalho até que se aposentasse por invalidez. “Quase não saía de casa. Quando saía, levava fraldas para trocar. Muitas vezes voltava com a calça molhada. Isso me deixava muito mal, cheguei a chorar de vergonha”, recorda.
A vergonha e o isolamento marcaram essa fase. Em reuniões e encontros sociais, o constrangimento era constante. Por mais de dois anos, ele acreditou que não havia alternativa. Foi somente em 2011 que conheceu a possibilidade de implantar um esfíncter urinário artificial, dispositivo que imita o músculo natural de controle da urina e devolve autonomia ao paciente. Para ele, essa descoberta foi a chance de recuperar sua dignidade.
A cirurgia foi realizada após uma complicação de emergência e transformou sua vida. “Foi a maior alegria da minha vida, como se eu tivesse voltado a viver de verdade”, disse. Hoje, José Geraldo leva uma vida ativa, usando apenas um absorvente por segurança. “Passo o dia inteiro seco, e minha vida voltou ao normal”. Sua história mostra que, mesmo diante dos efeitos colaterais de um tratamento, sempre há esperança de recomeço e superação.
Com informações do Metrópoles
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