Sônia Nunes: a mulher que venceu o câncer com fé, leveza e determinação

Autenticidade, força e superação: essas são palavras que representam a vida de Sônia Nunes Pereira, desde 2023. Natural de Adamantina (SP) e moradora de Presidente Prudente (SP), a motorista de aplicativo viveu diversas emoções desde a descoberta de um câncer de mama.

Entre medo, lágrimas e incertezas, ela aprendeu a transformar a dor em força, e hoje, ainda inspira outras mulheres com a mesma mensagem que a guiou durante o tratamento: “fé, esperança e confiança”.

A rotina de Sônia foi interrompida em 2023, quando no mês de agosto, realizou uma mamografia e ultrassom de rotina. Os exames, até então, não apresentaram alterações significativas, indicando apenas mamas densas e glândulas grandes.

Com a liberação médica, em novembro, ela partiu para a tão sonhada viagem aos Estados Unidos, onde reencontraria seus três filhos, incluindo o caçula, que não via há sete anos.

Mas, menos de um mês após a chegada, ela começou a sentir fortes dores na mama, descritas por ela como “agulhadas”.

“Eu coloquei na minha cabeça que não seria nada, que seriam grandes glândulas densas. Foi passando os meses e eu continuei com muita dor. Em junho do ano passado, cheguei em um extremo de dor”, relatou Sônia.

Nesse período, ela percebeu que um líquido preto saiu do mamilo após ela apertar a mama. Esse sinal preocupou o filho mais velho dela, que a pressionou para buscar ajuda médica.

Em uma clínica que atende imigrantes, a médica percebeu que o caroço havia aumentado e decidiu encaminhá-la para a emergência. Sem seguro de saúde, Sônia tentou argumentar, mas a gravidade do caso deixou claro que não havia tempo a perder.

No hospital, com a ajuda de um segurança e um tradutor, ela recebeu o diagnóstico que nenhuma mulher gostaria de receber.

“Veio um segurança até mim, trazendo a máquina do tradutor, e ele falou que eu ia fazer um novo exame. Eu perguntei: ‘Por que vou fazer um novo exame? Você pode perguntar para o médico?’. O médico veio e falou na lata: ‘Porque você está com câncer de mama. Os radiologistas não erram. Eu vou fazer a mamografia só para a gente ter 100% de certeza’. O meu mundo abriu, eu perdi o chão. Naquele momento passou milhões de coisas na minha cabeça, que eu iria morrer, que eu não ia conseguir voltar ao Brasil, que eu não ia ver os dois netinhos que eu tenho aqui, que eu não ia ver mais meus filhos. Fiquei extremamente desesperada, porque a sensação é de sentença de morte”, relembrou o momento.

A biópsia realizada nos EUA, que confirmou o diagnóstico de um câncer agressivo, levou Sônia a tomar uma decisão difícil: voltar ao Brasil para iniciar o tratamento imediatamente.

Sônia retornou ao Brasil em 11 de agosto de 2024. Os trâmites para o Hospital do Câncer já estavam adiantados e ela realizou exames particulares, como a cintilografia. O resultado confirmou a ausência de metástase — processo em que células cancerígenas se desprendem do tumor original, viajam pela corrente sanguínea ou linfática e formam novos tumores em outras partes do corpo.

O câncer era do tipo hormonal negativo, considerado mais fácil de tratar do que o triplo positivo. Sônia passou por quatro sessões de quimioterapia vermelha, 12 brancas, além de cirurgia e radioterapia, e segue agora com o uso de bloqueador hormonal por via venosa.

A primeira quimioterapia foi difícil, com enjoos intensos que a deixaram de cama por quatro dias. Foi nesse momento que ela decidiu mudar de perspectiva.

“Eu decidi erguer minha cabeça e lutar contra essa doença. Eu ia para a oncologia alegre, feliz, me arrumava, me maquiava, brincava com todos os pacientes, não deixava ninguém quieto, conversava mais que uma matraca, e assim levei todo o meu tratamento com muita leveza”, contou Sônia.

A leveza e a alegria de Sônia se tornaram um apoio para outras pacientes. Seus exames continuaram perfeitos, e sua imunidade nunca caiu graças aos cuidados com a alimentação — como sucos de laranja com inhame e beterraba.

A pior parte foi realizar o tratamento longe dos filhos. Para lutar contra o medo, ela buscou inspiração na fala do filho, de que “a criança não pensa” na doença.

“Eu resolvi não ficar pensando, não ficava me olhando muito no espelho para me ver careca e não chorar. Usava ‘peruquinha’ para sair, me arrumava e resolvi pensar que eu ia me curar e que em breve eu poderia ver meus filhos”, disse.

Remissão

O nódulo desapareceu completamente durante a segunda quimioterapia vermelha. Na cirurgia, Sônia não precisou passar por mastectomia total, sendo realizada apenas a resseção de um quadrante. Além disso, o nódulo na axila, identificado nos exames de imagem nos EUA, apresentou resultado negativo para câncer.

O oncologista de Sônia a considerou curada. Atualmente, ela está em período de remissão, com acompanhamento previsto por até cinco anos.

“A médica me operou, tirou o que tinha de ruim. Fiz novas tomografias, novos exames de sangue, todos normais. Então perguntei ao meu oncologista: ‘Doutor, posso me considerar curada?’, e ele respondeu: ‘Sim, com certeza, você está curada. O que tinha de ruim, foi tirado'”, recontou Sônia com alegria.

Acolhimento

Em meio a toda essa situação, o acolhimento das pessoas foi fundamental durante o tratamento. Logo após retornar dos Estados Unidos, e antes de iniciar a quimioterapia, Sônia procurou o Grupo de Apoio Amigas do Peito.

“Elas [mulheres do grupo de apoio] me acolheram de braços abertos. Acho que por isso que se chama ‘Amigas do Peito’. Foram conversando, conheci uma, conheci outra, fui vendo que eu não estava sozinha. Aquilo deu um alívio no meu coração, que eu ia ser curada. Não tive mais medo de morrer e eu nunca pensei em desistir”, disse Sônia.

Curada da doença, ela pretende continuar participando de eventos e palestras, levando sua palavra de força, e principalmente, sua experiência como história de fé.

Fonte: g1


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