Cerca de 40% das neoplasias nos Estados Unidos estão associadas a fatores evitáveis, como tabagismo, etilismo, obesidade e sedentarismo. Estudos recentes sugerem que as tomografias computadorizadas também podem integrar essa lista, despertando atenção para riscos ligados à radiação. Uma análise publicada no JAMA Internal Medicine estimou que os 93 milhões de exames realizados em 2023 poderiam resultar em mais de 100 mil casos futuros de câncer, representando cerca de 5% das neoplasias anuais do país. A primeira autora, Dra. Rebecca Smith-Bindman, observou que os dados reforçam a necessidade de limitar exames sem utilidade diagnóstica, especialmente em crianças e adolescentes.
Outro estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, sugeriu que até 10% das neoplasias hematológicas infantis poderiam ser atribuídas à exposição cumulativa à radiação, ainda que o risco absoluto permaneça pequeno. No entanto, especialistas alertam que as estimativas podem estar infladas, pois dependem de modelos com múltiplas suposições. Parte das críticas envolve o uso do RadRAT, ferramenta baseada em dados de sobreviventes das bombas atômicas, o que pode não refletir adequadamente exposições de baixa dose típicas das TCs modernas.
Avanços tecnológicos, como TCs com contagem de fótons e softwares de reconstrução baseados em inteligência artificial, contribuem para reduzir as doses e podem tornar projeções anteriores menos aplicáveis à prática atual. Ainda assim, pesquisadores defendem cautela e reforçam que algum risco existe, embora pequeno quando comparado aos benefícios clínicos.
A variação nas doses entre hospitais também chama atenção. Estudos liderados pela Dra. Rebecca mostraram que diferenças nas práticas, como o uso de varreduras multifásicas, ampliam a exposição sem benefício correspondente. Ela defende padrões mais claros e uniformes, ressaltando que pacientes deveriam receber doses semelhantes independentemente da instituição. Iniciativas nos Estados Unidos buscam estabelecer limites mais consistentes, embora encontrem resistência de parte da comunidade médica.
Apesar das divergências entre pesquisadores, há consenso de que o uso criterioso das TCs é fundamental. Médicos devem avaliar riscos e benefícios, evitando exames desnecessários e garantindo que a exposição seja a menor possível sem comprometer a qualidade diagnóstica. A discussão permanece ativa, impulsionada por novas evidências e pela busca de equilíbrio entre segurança e necessidade clínica.
- Conteúdo completo em Medscape
- Imagem: Freepik
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