Amazonas, Tocantins e Alagoas lideram o ranking de estados que demoram mais tempo para iniciar o tratamento de pacientes diagnosticados com câncer de próstata. De acordo com dados exclusivos levantados pelo R7 Planalto, este ano, pelo menos 50% dos pacientes dessas regiões demoraram mais de 60 dias para iniciar o combate à doença.
Até 27 de novembro, considerando dados prévios do Ministério da Saúde, pelo menos 18 mil diagnósticos de câncer de próstata tinham sido feitos no SUS (Sistema Único de Saúde). Conforme revelado pela coluna na primeira reportagem da série Saúde do Homem, no ano passado, praticamente metade dos diagnosticados em todo o país esperou mais de 60 dias para ter acesso à intervenção médica.
Em outros estados, como Acre e Sergipe, 37% dos pacientes com câncer de próstata tiveram que esperar mais de dois meses para começar o tratamento contra o câncer.
Vale lembrar que, desde 2012, a lei federal nª 12.732, obriga o SUS a ofertar o tratamento de pacientes com câncer — seja radioterapia, quimioterapia ou cirurgia — em no máximo 60 dias após o diagnóstico confirmado por laudo patológico.
A lei tenta evitar que esses pacientes fiquem em longas esperas que possam agravar o quadro de saúde.
A reportagem questionou diretamente às Secretarias de Saúde dos estados em que mais de 35% dos pacientes esperam tempo superior ao determinado por lei para ter acesso ao tratamento.
Em nota, a Saúde de Sergipe disse que acompanha os dados, por meio do monitoramento intensivo realizado junto ao Painel de Oncologia e vem adotando medidas para fortalecer a Rede Estadual de Assistência à Oncologia.
“Entre elas, a entrega do Hospital do Câncer de Sergipe, localizado em Aracaju. A estrutura da nova unidade hospitalar será inaugurada na próxima quarta-feira, 10, de dezembro e conta com uma estrutura ampla e com tecnologia de ponta. O Hospital do Câncer possui 230 leitos. Destes, 135 para internação, distribuídos em 10 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto, 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, 13 de isolamento e 102 de enfermaria, destinados a diferentes especialidades, como Oncologia Clínica (incluindo hematologia e cuidados paliativos), Oncologia Cirúrgica e Oncologia Pediátrica.Além de 20 leitos no setor de Pronto-Socorro (Pronto Atendimento), com leitos de estabilização e de observação adultos e pediátricos, e 75 leitos dedicados ao setor de quimioterapia, sendo 60 para adultos (antes eram apenas 24), 14 pediátricos e um de isolamento”, explicou.
A pasta admitiu, contudo, que “no contexto nacional, infelizmente, a rede de atenção oncológica ainda é fragmentada, faltando integração entre os níveis de atenção (Atenção Primária à Saúde, Atenção Especializada Ambulatorial e Atenção Especializada Hospitalar)”.
“Neste sentido, a Secretaria de Saúde de Sergipe vem trabalhando junto aos municípios para maior atenção ao atendimento oncológico. Sobre os dados do Painel de Oncologia, o cálculo do tempo é a partir das datas registradas nos sistemas de informação do SUS, e se houver falta de informação no registro e inconsistência, os casos aparecem como “sem informação” o que pode influenciar nos percentuais. A SES de Sergipe reforça o seu compromisso com a pauta oncológica, destacando o compromisso no fortalecimento da rede. A partir de dezembro nasce um novo cenário oncológico em Sergipe. Fruto de muito trabalho e compromisso com o tema”, informou.
As demais pastas, no entanto, até a publicação desta reportagem não tinham enviado posicionamento. O espaço segue aberto.
Os riscos para a saúde
Médico uro-oncologista e especialista em cirurgia robótica e câncer de próstata do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, Carlos Watanabe alerta que se não tratado na fase precoce, “o câncer de próstata pode desenvolver metástases para os ossos ou inclusive para outros órgãos”.
O oncologista Rafael Amaral destaca que a detecção precoce e início rápido do tratamento aumentam muito as chances de cura e preservam a qualidade de vida.
“O câncer de próstata, com alta prevalência, demanda rastreamento constante para identificar casos agressivos em tempo hábil, protegendo a saúde dos homens em larga escala. O cuidado integral com a saúde masculina, incluindo prevenção, exames regulares e acesso rápido ao tratamento no SUS, é essencial para evitar mortalidade precoce e complicações severas decorrentes da doença”, explica.
- Fonte: R7
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