“Eu sou uma vítima da desinformação”, resume Katia Jaqueline Gonçalves, de 58 anos, assistente social aposentada que venceu câncer nas cordas vocais há 24 anos. Hoje voluntária da ACBG Brasil (Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço), ela transformou a própria história em missão: ajudar a informar e orientar outras pessoas para que recebam o diagnóstico o quanto antes.
Katia foi uma das organizadoras da ação realizada em 30 de julho, na Praça Ary Coelho, no Centro de Campo Grande. Feita pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), em parceria com a ACBG, a atividade marcou o encerramento da campanha Julho Verde e teve como foco a prevenção do câncer de cabeça e pescoço, com ênfase no tabagismo como principal fator de risco.
“Desde criança eu tinha rouquidão. Mais tarde, cuidava com antialérgico e não melhorava. Quando descobri, já era câncer. Perdi a voz, mas aprendi a falar com a voz esofágica. Hoje posso dizer que o amor e a vontade de viver me curaram”, relata Kátia.
A campanha na praça atendeu a população, com triagem feita por equipe da residência médica. Os pacientes eram encaminhados para avaliação com dentista, fonoaudiólogo ou especialista, conforme os sintomas apresentados. Casos suspeitos foram direcionados para acompanhamento em unidades de referência.
“O objetivo aqui é justamente esse: levar informação, identificar sinais precoces e evitar que outras pessoas passem pelo que eu passei. Muitas vezes o câncer dá sinais que a gente não percebe, e a informação pode salvar vidas”, reforça Katia.
A representante da Sesau na organização do evento, Cristiane Lima de Saliba, explicou que a ação integra a campanha nacional Julho Verde, voltada à prevenção do câncer de cabeça e pescoço. “Quem apresentou queixas ou sinais de alerta foi direcionado para a rede de unidades de referência, onde continuará o atendimento, caso necessário”, completou Cristiane.
Foco no diagnóstico precoce – Conforme a médica Ana Beatriz Fonseca, o público de maior risco ainda é formado por homens acima dos 50 anos, principalmente fumantes e consumidores de álcool. No entanto, ela alerta para o aumento de casos associados ao HPV, que têm acometido pessoas mais jovens.
“Hoje o HPV é a principal causa de câncer de garganta, com casos surgindo em pessoas de 30, 40 anos. Mas o foco maior continua sendo o paciente tabagista. E, infelizmente, o diagnóstico precoce ainda não é comum no país. Quando descoberto tardiamente, o tratamento é mais difícil e as chances de cura diminuem”, afirma.
A ação envolveu 25 profissionais da saúde e reforçou que, para quem não conseguiu comparecer, é possível procurar uma unidade básica. A entrada é pelo atendimento clínico inicial, seguido, se necessário, por avaliação com especialista.
Com informações da Campo Grande News
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