Receber um diagnóstico de câncer mexe com tudo: rotina, expectativas, planos e, principalmente, com a sensação de segurança. O medo costuma chegar antes mesmo de qualquer informação concreta. Ele aparece no silêncio da noite, nas dúvidas sobre o tratamento e nas perguntas que ainda não têm resposta. E sentir isso não significa fraqueza — significa humanidade.
Acolher o medo é o primeiro passo. Em vez de tentar expulsá-lo, vale reconhecê-lo e entender o que ele está dizendo. Às vezes, ele aponta para cenários que a mente construiu sem base real; outras vezes, revela inseguranças profundas que precisam de espaço para serem escutadas. Conversar com alguém de confiança, escrever sobre o que se sente ou dividir a angústia com um profissional pode trazer algum alívio.
O diálogo com a equipe médica também faz diferença. Perguntar, repetir, anotar e pedir explicações mais simples são atitudes legítimas. Informação clara reduz fantasias e ajuda a enxergar o caminho possível, passo a passo.
Criar pequenas rotinas também traz estabilidade. Um café em silêncio, alguns minutos de respiração, uma conversa curta com alguém querido ou uma caminhada leve podem dar ao corpo uma mensagem de continuidade: a vida segue acontecendo, mesmo diante do tratamento.
E, quando o medo aparecer novamente — porque ele volta — é importante lembrar que isso não significa regressão. É apenas parte do processo. Há dias mais firmes e dias mais frágeis. Em ambos, existe espaço para esperança, apoio e cuidado. Caminhar com medo não impede ninguém de seguir; apenas torna o passo mais consciente.
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