No Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, especialistas destacam que, apesar dos números alarmantes — cerca de 10 milhões de mortes anuais e a projeção de aumento de 75% nos novos casos até 2050, segundo a Organização Mundial da Saúde —, o tratamento oncológico vive uma transformação profunda impulsionada por inovação científica, tecnologia e novos modelos de pesquisa.
O diagnóstico precoce surge como um dos principais fatores para aumentar a sobrevida. Nos Estados Unidos, um exame de sangue desenvolvido pela empresa Novelna identificou corretamente até 93% dos cânceres em estágio inicial em homens e 84% em mulheres. Para o câncer de pulmão, pesquisadores do MIT criaram a inteligência artificial Sybil, capaz de prever o risco da doença até seis anos antes dos sintomas, com base em tomografias de baixa dose. Em países em desenvolvimento, como a Índia, a inteligência artificial também tem sido usada para análise de raios-X e criação de perfis de risco, ampliando o acesso ao diagnóstico em regiões com escassez de especialistas.
No campo do tratamento, a quimioterapia convencional vem sendo gradualmente substituída por terapias personalizadas baseadas na assinatura genética dos tumores. Um exemplo é o Cancer Vaccine Launch Pad, do Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra, que conecta pacientes a ensaios clínicos de vacinas terapêuticas de RNA mensageiro, capazes de treinar o sistema imunológico para atacar células cancerígenas específicas, com menos efeitos colaterais.
Avanços também são evidentes em doenças hematológicas, como a leucemia linfóide aguda e a leucemia mieloide crônica, que hoje contam com terapias direcionadas e prognósticos significativamente melhores.
A iniciativa privada tem desempenhado papel decisivo nesse cenário. A Medulloblastoma Initiative (MBI), criada em 2021 por Fernando Goldsztein após o diagnóstico de tumor cerebral de seu filho, implementou um modelo colaborativo com compartilhamento obrigatório de dados entre 14 instituições globais. Em apenas 30 meses, a MBI arrecadou 11 milhões de dólares e viabilizou dois ensaios clínicos promissores — um processo que, no modelo tradicional, levaria de 7 a 15 anos.
Apesar dos avanços, desafios persistem, como o alto custo das terapias, limitações de infraestrutura e desigualdade no acesso. Especialistas defendem políticas públicas, incentivos à pesquisa e modelos de financiamento que garantam que as inovações cheguem a todos os pacientes.
Com informações da NIDDE DIGITAL
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