O que são alimentos ultraprocessados?
Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas inteiramente ou em grande parte de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcares, amidos, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amidos modificados) ou sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor). Eles passam por múltiplos processos e geralmente contêm pouco ou nenhum alimento in natura. Exemplos comuns incluem refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, salsichas, nuggets de frango, macarrão instantâneo, misturas para bolos e a maioria dos cereais matinais açucarados.
Alimentos ultraprocessados e câncer: o que a ciência diz?
Diversos estudos epidemiológicos têm associado o consumo elevado de alimentos ultraprocessados a um risco maior de desenvolvimento de vários tipos de câncer, especialmente o colorretal e o de mama. Uma meta-análise publicada no British Medical Journal indicou que cada aumento de 10% no consumo de ultraprocessados estava associado a um aumento de 12% no risco geral de câncer. Embora os mecanismos ainda estejam sendo investigados, acredita-se que a combinação de baixa densidade nutricional, alto teor de gorduras saturadas, açúcares adicionados, sódio e aditivos químicos (como nitritos, emulsificantes e edulcorantes artificiais) possa promover inflamação crônica, estresse oxidativo e alterações na microbiota intestinal — fatores que favorecem o surgimento de tumores.
Além disso, o consumo frequente desses alimentos contribui para a obesidade, que é um fator de risco reconhecido para pelo menos 13 tipos de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), classifica alguns aditivos (como o aspartame) como possivelmente carcinogênicos para humanos. Por isso, reduzir a ingestão de ultraprocessados é uma recomendação unânime entre as entidades de saúde.
Como identificar e reduzir o consumo de ultraprocessados?
A melhor maneira de identificar um ultraprocessado é observar a lista de ingredientes: se contiver substâncias que você não reconheceria como alimentos de verdade (xarope de milho, proteína texturizada de soja, realçador de sabor, corantes artificiais), provavelmente é ultraprocessado. A dica prática é dar preferência a alimentos in natura ou minimamente processados (frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, carnes frescas, ovos, leite). Cozinhar mais em casa, usar temperos naturais (alho, cebola, ervas) e planejar as refeições ajuda a evitar o consumo excessivo. Quando for comprar produtos prontos, leia os rótulos e escolha aqueles com menos ingredientes e mais reconhecíveis.
Perguntas frequentes sobre alimentos ultraprocessados
1. Alimentos ultraprocessados causam câncer diretamente?
Não existe uma relação causal direta comprovada, mas as evidências científicas mostram uma forte associação entre o consumo elevado e o aumento do risco de diversos tipos de câncer. O câncer é uma doença multifatorial, e a alimentação é um dos fatores que podemos modificar para reduzir os riscos.
2. Quais são os principais exemplos de ultraprocessados no dia a dia?
Refrigerantes, sucos de caixinha, salgadinhos, biscoitos recheados, salsichas, presuntos, nuggets, macarrão instantâneo, sopas em pó, molhos industrializados, barras de cereal com muitos aditivos e a maioria dos alimentos congelados prontos (pizza, lasanha) são ultraprocessados.
3. Como posso substituir os ultraprocessados na minha rotina?
Troque o refrigerante por água ou suco natural da fruta; os salgadinhos por castanhas ou frutas; o biscoito recheado por pão integral com queijo branco; e prepare refeições com ingredientes frescos sempre que possível. Pequenas mudanças fazem grande diferença ao longo do tempo.