O câncer de colo de útero, também conhecido como câncer cervical, é um tumor maligno que afeta o colo do útero, a parte inferior do útero que se conecta à vagina. No Brasil, é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre mulheres (excluindo o câncer de pele não melanoma), mas também um dos mais preveníveis. A principal causa é a infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV), transmitido por via sexual. Por isso, a prevenção com vacina e exames regulares é fundamental para reduzir a incidência e a mortalidade.
O que é o câncer de colo de útero?
O câncer de colo de útero se desenvolve a partir de alterações nas células do epitélio do colo do útero. A infecção pelo HPV é responsável pela maioria dos casos, mas nem toda infecção leva ao câncer. O sistema imunológico geralmente elimina o vírus espontaneamente. Porém, quando a infecção persiste por anos, pode causar lesões precursoras (displasias) que, se não tratadas, evoluem para o carcinoma invasor. Esse processo é lento e pode levar de 10 a 20 anos, o que abre uma janela importante para o rastreamento e o tratamento precoce.
Fatores de risco
Além da infecção pelo HPV de alto risco, outros fatores aumentam a probabilidade de desenvolvimento do câncer cervical: início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo, uso prolongado de anticoncepcionais orais, imunossupressão (como HIV/AIDS), histórico de doenças sexualmente transmissíveis e baixa adesão ao exame preventivo. A combinação desses fatores com a infecção persistente pelo HPV potencializa o risco.
Sintomas
Nas fases iniciais, o câncer de colo de útero geralmente não causa sintomas. Quando a doença avança, os sinais mais comuns incluem sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após relações sexuais, corrimento anormal (com odor ou com sangue), dor pélvica e desconforto urinário. A presença de qualquer um desses sintomas requer avaliação médica imediata. Por isso, o rastreamento periódico com o exame Papanicolau (citologia cervical) é essencial para detectar lesões precursoras antes da progressão.
Prevenção
A principal estratégia de prevenção é a vacina contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos, e também para grupos especiais (pessoas com HIV, transplantados, vítimas de violência sexual). A vacina protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer (16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos) e também contra tipos que causam verrugas genitais. Além da vacina, o exame Papanicolau (preventivo) é recomendado a cada três anos para mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. O uso de preservativos reduz a transmissão do HPV, mas não elimina completamente o risco.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do câncer de colo de útero é confirmado por biópsia de lesões suspeitas identificadas na colposcopia. Lesões precursoras (displasias de baixo ou alto grau) podem ser tratadas com procedimentos conservadores como conização, cauterização ou crioterapia, que preservam a fertilidade na maioria dos casos. Quando o câncer já está instalado, o tratamento depende do estágio: pode incluir cirurgia (histerectomia), radioterapia e quimioterapia. Diagnosticado precocemente, o câncer cervical tem altas chances de cura, superiores a 90% nos estágios iniciais.
Perguntas frequentes
O HPV sempre causa câncer?
Não. A maioria das infecções por HPV é eliminada pelo sistema imunológico espontaneamente. Apenas infecções persistentes (que duram anos) por tipos de alto risco podem evoluir para câncer.
Qual a idade recomendada para a vacina contra o HPV?
A vacina é recomendada para meninos e meninas de 9 a 14 anos, antes do início da vida sexual, para máxima eficácia. O SUS oferece gratuitamente para essa faixa etária.
De quanto em quanto tempo devo fazer o exame Papanicolau?
O Ministério da Saúde recomenda o exame a cada três anos, após dois exames anuais normais consecutivos. Mulheres com fatores de risco podem precisar de orientação individualizada.
Câncer de colo de útero tem cura?
Sim, especialmente quando diagnosticado precocemente. As chances de curam chegam a mais de 90% nos estágios iniciais. Por isso o rastreamento regular é tão importante.
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