A doação de medula óssea é um ato de solidariedade que pode salvar a vida de milhares de pessoas diagnosticadas com doenças hematológicas, como leucemia, linfoma e outras doenças do sangue. No Brasil, o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) coordena o cadastro de potenciais doadores. Neste artigo, explicamos como funciona a doação, quem pode doar e por que sua contribuição é tão importante para quem enfrenta o câncer.

O que é a medula óssea e por que doar?

A medula óssea é um tecido líquido encontrado no interior dos ossos, responsável pela produção das células do sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). Quando a medula de uma pessoa não funciona corretamente — como em casos de leucemia, aplasia de medula ou doenças hereditárias — o transplante de medula óssea pode ser a única chance de cura. A doação consiste na coleta de células-tronco saudáveis que serão transplantadas no paciente, regenerando sua capacidade de produzir sangue.

Quem pode ser doador?

Para se cadastrar como doador voluntário, é necessário atender aos seguintes requisitos básicos:

  • Ter entre 18 e 55 anos de idade.
  • Gozar de boa saúde geral (sem doenças infecciosas crônicas, câncer ou doenças autoimunes ativas).
  • Não ter doença cardíaca, renal ou hepática grave.
  • Apresentar documento de identidade oficial com foto.
  • Pesar mais de 50 kg (para segurança do procedimento de coleta).

Pessoas com histórico de algumas doenças (como hepatite B ou C) podem ser impedidas, por isso a triagem médica é criteriosa. O importante é comparecer a um hemocentro e passar pela avaliação.

Como se cadastrar?

O processo de cadastro é simples e rápido. Basta procurar um hemocentro ou posto de coleta credenciado pelo REDOME. Lá, você preencherá um formulário com dados pessoais e de saúde e coletará uma amostra de 5 ml de sangue para a realização do teste de tipagem HLA (características genéticas de compatibilidade). Seus dados serão inseridos no registro nacional e cruzados com os de pacientes que aguardam um doador compatível em todo o mundo.

Importante: após o cadastro, você pode ser chamado a qualquer momento para doar. Por isso, é fundamental manter seus dados atualizados (telefone, endereço) junto ao hemocentro.

Como é feita a doação?

Existem duas formas principais de coleta:

  • Coleta por aférese (mais comum): o doador recebe medicamentos por alguns dias para estimular a liberação de células-tronco na corrente sanguínea. Depois, o sangue é retirado por uma veia do braço, passa por uma máquina que separa as células necessárias e o restante é devolvido ao corpo. O procedimento dura de 4 a 6 horas, é ambulatorial e não requer cirurgia.
  • Coleta cirúrgica: realizada com anestesia, na qual são feitas pequenas punções no osso da bacia para aspirar a medula. O doador fica internado por 24 a 48 horas. A escolha do método depende da necessidade do paciente e da avaliação médica.

Ambos os procedimentos são seguros e bem tolerados. O doador pode sentir desconforto temporário (como cansaço ou dores musculares), mas se recupera completamente em poucos dias.

Importância da doação para pacientes com câncer

Para muitos pacientes com leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e outras neoplasias hematológicas, o transplante de medula é a principal esperança de cura. A compatibilidade entre doador e paciente é muito específica — baseada em genes HLA — e as chances de encontrar um doador compatível na família são de apenas 25%. O restante depende de doadores voluntários. Quanto mais pessoas estiverem cadastradas, maior a probabilidade de encontrar uma combinação para quem precisa. Atualmente, o REDOME é o terceiro maior banco de doadores do mundo, mas ainda há carência de doadores de determinadas ancestralidades.

Como o Projeto AMIGOS incentiva a doação?

O Projeto AMIGOS, em sua missão de apoiar e inspirar pessoas com câncer, reconhece a doação de medula óssea como um gesto concreto de solidariedade que pode transformar vidas. Acreditamos que informação e empatia são os primeiros passos para aumentar o número de doadores. Por isso, sempre que possível, compartilhamos campanhas, notícias e informações sobre a importância do cadastro. Se você deseja contribuir de outras formas, visite nossa página Quero doar ou conheça as formas de ser voluntário.

Perguntas frequentes

Doar medula dói?

No método por aférese, o desconforto é mínimo (semelhante a uma doação de sangue prolongada). Na coleta cirúrgica, há desconforto pós-operatório, mas controlado com analgésicos.

O doador fica com sequelas?

Não. A medula óssea se regenera completamente em poucas semanas. Não há comprometimento da saúde do doador a longo prazo.

É possível desistir depois do cadastro?

Sim, o cadastro é voluntário e o consentimento pode ser retirado a qualquer momento. No entanto, se você for selecionado como compatível para um paciente, a desistência na última hora pode ser crítica. Por isso, a decisão de se cadastrar deve ser consciente.

O transplante é gratuito para o paciente?

No Brasil, o transplante de medula óssea é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também por planos de saúde. O doador não tem nenhum custo – as despesas de deslocamento e eventuais procedimentos são cobertas pelo sistema de saúde.

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