A prática regular de exercícios físicos é amplamente reconhecida como um dos pilares para a prevenção de doenças crônicas, incluindo o câncer. Estudos epidemiológicos demonstram que indivíduos fisicamente ativos apresentam menor risco de desenvolver diversos tipos de tumores, como os de mama, cólon, endométrio, rim e bexiga. Além disso, para aqueles que já enfrentam a doença, a atividade física adequada pode melhorar a qualidade de vida, reduzir efeitos colaterais do tratamento e contribuir para a recuperação funcional e emocional.

Benefícios na prevenção do câncer

Os mecanismos pelos quais o exercício reduz o risco de câncer são múltiplos. A atividade física ajuda a manter o peso corporal adequado, reduz a inflamação sistêmica, melhora a função imunológica e regula níveis hormonais, como estrogênio e insulina. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a inatividade física é responsável por cerca de 3% dos casos de câncer no Brasil. Incorporar pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana — como caminhada rápida, natação ou ciclismo — já traz benefícios significativos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda ainda que adultos realizem atividades de fortalecimento muscular ao menos duas vezes por semana.

Exercícios durante o tratamento oncológico

Durante a quimioterapia, radioterapia ou cirurgia, muitos pacientes experimentam fadiga, perda de força muscular, alterações no apetite e sintomas emocionais como ansiedade e depressão. Estudos mostram que programas de exercícios supervisionados ou adaptados podem reduzir a fadiga, melhorar a capacidade cardiorrespiratória e ajudar na manutenção da massa muscular. Atividades como caminhada leve, alongamentos, ioga adaptada e exercícios com faixas elásticas são exemplos de práticas seguras, desde que liberadas pela equipe médica. É essencial que o paciente consulte seu oncologista e um profissional de educação física para desenvolver um plano individualizado, respeitando os limites impostos pelo tratamento.

Tipos de exercícios recomendados

Os principais tipos de exercícios que trazem benefícios comprovados são:

  • Exercícios aeróbicos: melhoram o condicionamento cardiovascular e reduzem a fadiga. Exemplos: caminhada, bicicleta ergométrica, elíptico, natação.
  • Exercícios de resistência (musculação): ajudam a preservar e recuperar a massa muscular e a força. Pesos leves, faixas elásticas e exercícios com o peso do corpo são boas opções.
  • Flexibilidade e equilíbrio: alongamentos, ioga e tai chi auxiliam na mobilidade, postura e redução do risco de quedas, especialmente em pacientes debilitados.

A combinação dessas modalidades, ajustada à condição de cada paciente, tende a oferecer os melhores resultados.

Após o tratamento: recuperação e prevenção de recidiva

Após a conclusão do tratamento, a prática regular de atividade física está associada a menor risco de recorrência e melhor sobrevida, especialmente em cânceres de mama e colorretal. Além dos benefícios físicos — como recuperação da força, mobilidade e condicionamento —, o exercício promove bem-estar psicológico, ajudando na readaptação social e na autoestima. Muitos sobreviventes relatam que a atividade física se torna uma ferramenta importante para retomar o controle sobre o próprio corpo e a rotina.

Cuidados importantes ao se exercitar

A individualização é a chave para a segurança. Pacientes em tratamento ativo devem evitar exercícios em dias de pico de efeitos colaterais, como náuseas intensas ou risco elevado de sangramento e infecção. A hidratação adequada, a alimentação balanceada e o respeito aos limites do corpo são fundamentais. Fique atento a sinais de alerta como dor persistente, tontura, falta de ar ou palpitações — nesses casos, interrompa a atividade e comunique seu médico. Nunca inicie ou modifique um programa de exercícios sem orientação profissional.

Recomendações práticas para começar

Para quem deseja iniciar a prática de exercícios, algumas orientações gerais são:

  • Comece devagar: 10 a 15 minutos de caminhada leve já são um ótimo começo.
  • Aumente gradualmente a duração e a intensidade conforme se sentir mais disposto.
  • Prefira atividades que você goste — isso facilita a adesão a longo prazo.
  • Inclua alongamentos ao final de cada sessão para melhorar a flexibilidade e relaxar.
  • Conte com o apoio de familiares, amigos ou grupos de atividade para se motivar.

O importante é dar o primeiro passo, respeitando seu tempo e as orientações da equipe de saúde.

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