A icterícia é a manifestação clínica mais visível de um excesso de bilirrubina no sangue. Ela se caracteriza pela coloração amarelada da pele, olhos e mucosas. Embora possa ter causas benignas, a icterícia também pode ser um sinal de doenças graves, incluindo o câncer. No Projeto AMIGOS, acreditamos que o conhecimento é uma ferramenta poderosa no enfrentamento do câncer. Por isso, reunimos informações essenciais sobre a icterícia para ajudar você a entender melhor esse sintoma e quando buscar ajuda médica.

O que é icterícia?

A bilirrubina é um pigmento amarelo resultante da degradação normal dos glóbulos vermelhos. O fígado é responsável por processar essa substância, que depois é eliminada pelas fezes. Quando o fígado não consegue processar a bilirrubina adequadamente, ou quando há uma obstrução no fluxo biliar, a bilirrubina se acumula no sangue e se deposita nos tecidos, causando a cor amarelada.

Principais causas

As causas da icterícia podem ser divididas em três grupos:

  • Causas hepáticas: hepatites virais (A, B, C), cirrose, lesão hepática induzida por álcool ou medicamentos, câncer de fígado.
  • Causas obstrutivas: cálculos na vesícula ou nos ductos biliares, tumores no pâncreas (principalmente na cabeça), colangiocarcinoma, compressão de linfonodos aumentados.
  • Causas hemolíticas: condições que aumentam a destruição das hemácias, como anemia falciforme, malária ou reações transfusionais.

Icterícia e câncer: quando se preocupar

O aparecimento de icterícia em um adulto sem doença hepática conhecida deve sempre levantar a suspeita de uma neoplasia subjacente. Os tipos de câncer mais frequentemente associados à icterícia são:

  • Câncer de pâncreas: especialmente o adenocarcinoma localizado na cabeça do pâncreas, que comprime o ducto biliar comum.
  • Colangiocarcinoma: câncer dos ductos biliares intra ou extra-hepáticos.
  • Câncer de fígado: hepatocarcinoma pode comprometer a função hepática e causar icterícia.
  • Câncer de vesícula biliar: obstrução direta do fluxo biliar.
  • Metástases hepáticas: tumores de outros órgãos (como cólon, mama, pulmão) que se espalham para o fígado podem levar à icterícia.

Além da cor amarelada, outros sinais de alerta incluem urina escura (cor de chá), fezes claras ou acinzentadas, coceira na pele, cansaço excessivo, dor abdominal e perda de peso involuntária.

Diagnóstico

Para investigar a causa da icterícia, o médico pode solicitar exames de sangue (bilirrubina total e frações, enzimas hepáticas, função hepática), exames de imagem como ultrassom abdominal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, e, se necessário, biópsia hepática ou endoscopia com colangiopancreatografia retrógrada (CPRE).

Tratamento

O tratamento depende da causa. Icterícia por obstrução pode ser tratada com cirurgia, colocação de stent biliar ou drenagem. Casos de hepatite são tratados com antivirais ou corticosteroides. A icterícia neonatal geralmente desaparece com fototerapia. Se o câncer for diagnosticado, o tratamento oncológico específico (cirurgia, quimioterapia, radioterapia) será instituído.

Perguntas frequentes

Icterícia sempre significa câncer?

Não. Muitas pessoas com icterícia têm causas benignas, como hepatite viral, cálculo biliar ou uso de certos medicamentos. No entanto, em adultos com mais de 40 anos, a icterícia obstrutiva tem maior probabilidade de ser causada por um tumor. Por isso, a investigação completa é fundamental.

Como posso prevenir a icterícia?

A prevenção está ligada ao cuidado com o fígado e vias biliares: vacinação contra hepatite B, consumo moderado de álcool, alimentação equilibrada, controle do peso e check-ups regulares. Para evitar o câncer, siga as recomendações de rastreamento (exames de imagem e sangue) indicadas para sua faixa etária e fatores de risco.


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