O linfoma de Hodgkin, também conhecido como doença de Hodgkin, é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, parte fundamental do sistema imunológico. Caracteriza-se pela presença de células anormais chamadas de Reed-Sternberg, que podem ser identificadas ao microscópio. A doença afeta principalmente adultos jovens (20 a 40 anos) e idosos acima de 55 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade.

No Brasil, estima-se que milhares de novos casos sejam diagnosticados anualmente. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) acompanha a incidência da doença, que representa cerca de 0,5% de todos os tumores malignos no país. A boa notícia é que o linfoma de Hodgkin possui altas taxas de cura, especialmente quando detectado precocemente e tratado adequadamente.

O que é o linfoma de Hodgkin?

O linfoma de Hodgkin é um câncer que começa nos linfócitos, um tipo de glóbulo branco. Ele se diferencia de outros linfomas pela presença das células de Reed-Sternberg. Existem dois subtipos principais: o linfoma de Hodgkin clássico, responsável por cerca de 95% dos casos, e o linfoma de Hodgkin nodular com predominância linfocitária, mais raro e de crescimento mais lento.

O sistema linfático inclui linfonodos (ínguas), baço, medula óssea e vasos linfáticos. Quando as células cancerosas se multiplicam, podem formar tumores nos linfonodos e se espalhar para outros órgãos.

Sintomas

Os sintomas mais comuns do linfoma de Hodgkin incluem:

  • Inchaço indolor dos linfonodos no pescoço, axilas ou virilha
  • Febre persistente sem causa aparente
  • Suores noturnos intensos
  • Perda de peso inexplicável (mais de 10% do peso corporal em seis meses)
  • Cansaço e fadiga
  • Coceira na pele (prurido)
  • Aumento do baço ou fígado

A presença de febre, sudorese noturna e perda de peso é chamada de "sintomas B" e indica uma doença mais agressiva, sendo importante para o estadiamento e escolha do tratamento.

Diagnóstico

O diagnóstico é confirmado por meio de biópsia de um linfonodo aumentado. O material é analisado por um patologista, que procura pelas células de Reed-Sternberg. Exames de imagem como tomografia computadorizada, PET-CT e raio-X de tórax são utilizados para estadiar a doença, determinando sua localização e extensão (estágios I a IV). Exames de sangue também ajudam a avaliar a função dos órgãos e o estado geral do paciente.

Tratamento

O tratamento depende do estágio, dos sintomas e das características do tumor. As principais opções incluem:

  • Quimioterapia: combinação de medicamentos como ABVD (doxorrubicina, bleomicina, vimblastina, dacarbazina) é o tratamento padrão para a maioria dos casos.
  • Radioterapia: utilizada em estágios iniciais ou após quimioterapia para áreas específicas.
  • Imunoterapia: medicamentos como brentuximabe vedotina e inibidores de checkpoint imunológico são opções para casos refratários ou recidivados.
  • Transplante de medula óssea: indicado para pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.

As taxas de cura são elevadas: cerca de 80% a 90% para estágios iniciais e 60% a 70% para estágios avançados. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para monitorar recidivas e efeitos colaterais tardios.

Vivendo com linfoma de Hodgkin

O suporte emocional e psicológico é fundamental durante o tratamento. Organizações como o Projeto AMIGOS, em Recife (PE), oferecem acolhimento, orientação e apoio espiritual a pacientes oncológicos e seus familiares. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física conforme orientação médica e buscar grupos de apoio pode fazer diferença na qualidade de vida.

O acompanhamento regular com exames de imagem e consultas médicas é crucial para detectar possíveis recidivas precocemente. Muitos pacientes retornam à vida normal após o tratamento e vivem por muitos anos sem a doença.

Prevenção e conscientização

Não há uma forma conhecida de prevenir o linfoma de Hodgkin, mas estar atento aos sintomas e procurar ajuda médica rapidamente aumenta as chances de diagnóstico precoce e tratamento bem-sucedido. Campanhas de conscientização sobre o câncer, como as realizadas pelo Projeto AMIGOS, ajudam a disseminar informações e apoiar pacientes em toda a região.

Se você ou alguém que conhece apresenta sintomas persistentes, procure um médico. O diagnóstico precoce salva vidas.

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