O que é o mieloma múltiplo?

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer que afeta as células plasmáticas, um tipo de glóbulo branco encontrado na medula óssea. Essas células são responsáveis pela produção de anticorpos que ajudam o organismo a combater infecções. No mieloma múltiplo, as células plasmáticas se multiplicam de forma descontrolada e se acumulam na medula óssea, interferindo na produção de células sanguíneas normais e causando danos aos ossos e outros órgãos.

É considerado um câncer hematológico e, embora ainda não tenha cura definitiva, os tratamentos evoluíram significativamente nas últimas décadas, proporcionando mais qualidade de vida e maior sobrevida aos pacientes. A doença é mais comum em pessoas acima dos 60 anos e tem prevalência ligeiramente maior em homens e em pessoas de ascendência africana.

Principais sintomas

Os sinais do mieloma múltiplo podem ser vagos no início, o que muitas vezes retarda o diagnóstico. Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Dor óssea, especialmente na coluna, costelas e quadris — é o sintoma mais comum.
  • Fadiga e fraqueza, resultantes da anemia causada pela substituição das células normais da medula.
  • Infecções recorrentes, devido à diminuição da produção de anticorpos normais.
  • Insuficiência renal, provocada pelo acúmulo de proteínas anormais (cadeias leves) nos rins.
  • Níveis elevados de cálcio no sangue (hipercalcemia), que podem causar sede excessiva, náuseas, confusão mental e constipação.
  • Sangramentos e hematomas fáceis, por alterações na contagem de plaquetas.

Fatores de risco

Embora a causa exata do mieloma múltiplo seja desconhecida, alguns fatores aumentam o risco de desenvolvê-lo:

  • Idade avançada: a maioria dos casos é diagnosticada após os 60 anos.
  • Sexo masculino: homens têm ligeiramente mais chances de desenvolver a doença.
  • Etnia: pessoas de ascendência africana apresentam risco cerca de duas vezes maior.
  • Histórico familiar: ter um parente de primeiro grau com mieloma múltiplo ou gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS) aumenta o risco.
  • Exposição a radiação ou produtos químicos: trabalhadores expostos a agrotóxicos, benzeno ou radiação podem ter risco elevado.

Diagnóstico

O diagnóstico do mieloma múltiplo envolve uma combinação de exames. O médico pode solicitar:

  • Exames de sangue: hemograma completo, dosagem de proteínas totais e eletroforese de proteínas, dosagem de imunoglobulinas, cálcio e função renal.
  • Exames de urina: eletroforese de proteínas urinárias para detectar as cadeias leves (proteína de Bence Jones).
  • Biópsia de medula óssea: coleta de uma amostra da medula para avaliar a presença e a porcentagem de células plasmáticas anormais.
  • Exames de imagem: radiografias, tomografia computadorizada, ressonância magnética ou PET-CT para avaliar lesões ósseas e a extensão da doença.

Tratamentos disponíveis

O tratamento do mieloma múltiplo é personalizado e depende da idade, condições clínicas, estágio da doença e características citogenéticas. As principais opções terapêuticas incluem:

  • Quimioterapia: medicamentos que destroem as células cancerosas ou impedem sua multiplicação.
  • Imunomoduladores: como lenalidomida e pomalidomida, que modulam o sistema imunológico e atacam o mieloma.
  • Inibidores de proteassoma: como bortezomibe e carfilzomibe, que bloqueiam mecanismos de sobrevivência das células tumorais.
  • Terapia com anticorpos monoclonais: como daratumumabe, que se liga a proteínas específicas na superfície das células de mieloma e as marca para destruição.
  • Transplante de medula óssea (autólogo): indicado para pacientes elegíveis, consiste na infusão das próprias células-tronco do paciente após quimioterapia em altas doses.
  • Terapias celulares avançadas: como a terapia CAR-T, que reprograma as células de defesa do paciente para reconhecer e atacar o mieloma.

O acompanhamento multidisciplinar com oncologista, enfermeiros, nutricionista e psicólogo é fundamental para lidar com os efeitos colaterais e manter a qualidade de vida durante o tratamento.

Convivendo com o mieloma múltiplo

Viver com mieloma múltiplo exige cuidados contínuos. O controle da dor óssea, a hidratação adequada para proteger os rins, a vacinação contra infecções (como gripe e pneumonia) e uma alimentação equilibrada são medidas importantes. O suporte emocional, seja por meio de grupos de apoio, aconselhamento psicológico ou espiritual, também desempenha um papel central no bem-estar do paciente.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamentos atualizados para o mieloma múltiplo, incluindo medicamentos de alto custo, e existem associações de pacientes que fornecem informações e acolhimento.

Pesquisas e avanços recentes

A pesquisa em mieloma múltiplo está em ritmo acelerado. Novas drogas como os inibidores de exportina (selinexor), anticorpos biespecíficos e as terapias com células CAR-T direcionadas ao BCMA (antígeno de maturação de células B) têm mostrado resultados promissores mesmo em casos refratários. Ensaios clínicos continuam buscando combinações mais eficazes e menos tóxicas, com o objetivo de transformar o mieloma múltiplo em uma doença crônica controlável a longo prazo.