A oncologia pediátrica é a especialidade médica que se dedica ao diagnóstico, tratamento e acompanhimento do câncer em crianças e adolescentes. Embora o câncer infantil seja uma doença relativamente rara — representando cerca de 2% a 3% de todos os tumores malignos —, ele é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil, segundo o INCA. A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente e tratado em centros especializados, as chances de cura chegam a mais de 80%.
Principais tipos de câncer infantil
O câncer na infância difere do adulto tanto nos tipos quanto no comportamento. Os mais comuns são:
- Leucemia (principalmente a leucemia linfoide aguda) – responsável por cerca de 30% dos casos infantis;
- Tumores do sistema nervoso central – como astrocitomas e meduloblastomas;
- Linfomas (Hodgkin e não Hodgkin) – afetam os gânglios linfáticos;
- Retinoblastoma – tumor maligno da retina, mais comum em crianças pequenas;
- Tumor de Wilms – câncer renal típico da infância;
- Neuroblastoma – tumor do sistema nervoso simpático, frequente em bebês;
- Sarcomas – como o osteossarcoma e o rabdomiossarcoma.
Sinais de alerta que merecem atenção
Os sintomas do câncer infantil podem ser confundidos com doenças comuns da infância. Por isso, é essencial que pais e cuidadores fiquem atentos a sinais persistentes como:
- Palidez progressiva, cansaço fácil e apatia;
- Febre sem causa aparente que não cede com medicamentos;
- Dor óssea ou articular, principalmente noturna, que leva a mancar;
- Surgimento de manchas roxas ou sangramentos sem motivo;
- Ínguas (caroços) no pescoço, axilas ou virilha que aumentam de tamanho;
- Vômitos pela manhã, acompanhados de dor de cabeça;
- Brilho branco no olho (reflexo pupilar) ou estrabismo de início recente;
- Aumento do volume abdominal ou massa palpável.
A presença de um ou mais desses sinais por mais de duas semanas justifica uma consulta com o pediatra para investigação.
Tratamentos e avanços na oncologia pediátrica
O tratamento do câncer infantil é multidisciplinar e pode incluir quimioterapia, radioterapia, cirurgia, transplante de medula óssea e, mais recentemente, imunoterapia e terapia-alvo. Os protocolos são adaptados para cada tipo de tumor e para a faixa etária da criança, sempre com o objetivo de curar com a menor toxicidade possível. Grandes centros brasileiros, como o INCA, o Hospital de Câncer de Barretos e o GRAACC, oferecem tratamento especializado e gratuito pelo SUS.
A importância do apoio psicológico e social
Enfrentar o câncer é um desafio que vai além da parte médica. Crianças e adolescentes precisam de suporte emocional para lidar com a dor, o medo e as mudanças na rotina. A família também sofre impacto profundo. Iniciativas como o Projeto AMIGOS atuam levando conforto, oração e solidariedade a pacientes oncológicos e seus familiares, especialmente no Recife. O acolhimento humanizado faz diferença na adesão ao tratamento e na qualidade de vida.
Prevenção e diagnóstico precoce
Diferente do câncer em adultos, o câncer infantil não tem métodos de rastreamento populacional estabelecidos. A prevenção passa por evitar exposição a radiação desnecessária, manter uma alimentação saudável na gestação e na infância, e estar atento aos sinais precoces. O diagnóstico rápido é o fator mais importante para o sucesso terapêutico. Por isso, campanhas como o Setembro Dourado (mês de conscientização do câncer infantojuvenil) são fundamentais.
Perguntas frequentes sobre oncologia pediátrica
O câncer infantil tem cura?
Sim. Atualmente, cerca de 80% das crianças e adolescentes com câncer podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.
Quais exames são usados para diagnosticar câncer em crianças?
Os principais são exames de sangue (hemograma, bioquímica), ultrassom, tomografia, ressonância magnética, biópsia da lesão e exames de medula óssea (mielograma).
O tratamento de câncer infantil é coberto pelo SUS?
Sim. O Sistema Único de Saúde oferece tratamento integral e gratuito para o câncer infantojuvenil em hospitais habilitados em todo o Brasil, incluindo cirurgia, quimioterapia, radioterapia e medicamentos de alto custo.
Como posso ajudar uma criança com câncer?
Além do apoio emocional, é possível contribuir com instituições sérias que atuam na área, como o Projeto AMIGOS, doando recursos, tempo como voluntário ou participando de campanhas de arrecadação.
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