O que é transplante de medula óssea?
O transplante de medula óssea, também chamado de transplante de células-tronco hematopoiéticas, é um procedimento médico que substitui a medula óssea doente ou danificada por células saudáveis. Essas células-tronco são responsáveis por produzir todas as células do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Para pacientes com cânceres como leucemia, linfoma e mieloma múltiplo, o transplante pode ser a melhor chance de cura. Ele também é usado em doenças não cancerosas, como anemia aplástica severa e talassemia.
Tipos de transplante
Existem três tipos principais de transplante de medula:
- Transplante autólogo: as células-tronco são coletadas do próprio paciente, tratadas e depois reinfundidas. É comum no mieloma múltiplo e em alguns linfomas.
- Transplante alogênico: as células vêm de um doador compatível, que pode ser um irmão, familiar ou doador não aparentado registrado em bancos de medula. Esse tipo oferece o benefício do efeito enxerto-contra-tumor, mas também apresenta maior risco de doença do enxerto contra hospedeiro (GVHD).
- Transplante singênico: raro, realizado entre gêmeos idênticos.
Quando é indicado?
O transplante de medula é indicado principalmente para:
- Leucemias agudas e crônicas
- Linfomas (Hodgkin e não-Hodgkin)
- Mieloma múltiplo
- Síndromes mielodisplásicas
- Doenças hematológicas benignas (anemia aplástica, talassemia major, anemia falciforme)
- Deficiências imunológicas congênitas
A decisão leva em conta o tipo e estágio da doença, idade do paciente, condições clínicas e disponibilidade de doador compatível.
Como é feito o procedimento?
Antes do transplante, o paciente passa por um regime de condicionamento – quimioterapia em altas doses, com ou sem radioterapia – para eliminar as células doentes e preparar a medula para receber as novas células. As células-tronco são infundidas por via intravenosa, como uma transfusão. O processo de pega (enxertia) leva de 2 a 4 semanas, período em que o paciente fica internado em cuidados especiais.
Riscos e complicações
O transplante de medula é um procedimento de alta complexidade e envolve riscos significativos:
- Infecções: devido à imunossupressão profunda antes da pega da medula.
- Doença do enxerto contra hospedeiro (GVHD): no transplante alogênico, as células do doador podem atacar os tecidos do paciente, afetando principalmente pele, fígado e intestino.
- Mucosite, complicações pulmonares e hepáticas.
- Rejeição do enxerto.
Acompanhamento multidisciplinar é essencial para gerenciar essas complicações.
Recuperação e acompanhamento
A recuperação completa pode levar meses a anos. Após a alta hospitalar, o paciente precisa de acompanhamento ambulatorial frequente, suporte nutricional, fisioterapia e apoio psicológico. A vacinação é retomada após cerca de 6 a 12 meses. Muitos pacientes retornam a uma vida normal, mas podem enfrentar efeitos tardios, como infertilidade, problemas endócrinos e fadiga crônica.
Perguntas frequentes
Quem pode ser doador de medula? Pessoas entre 18 e 55 anos, saudáveis, podem se cadastrar no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) doando uma pequena amostra de sangue. A compatibilidade é genética e as chances são maiores entre familiares.
Transplante de medula dói? A coleta de células-tronco pode ser feita por aférese (similar a uma doação de sangue) ou por punção óssea sob anestesia. O procedimento é considerado seguro e a dor é controlada.
O SUS oferece transplante de medula? Sim, o Sistema Único de Saúde brasileiro realiza transplantes de medula óssea em centros especializados credenciados, garantindo acesso gratuito a pacientes elegíveis.
Manter-se informado é um passo importante no enfrentamento do câncer. No Projeto AMIGOS, oferecemos apoio, acolhimento e informações de confiança para pacientes e familiares.
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