As vacinas estão entre os avanços mais importantes da medicina moderna e desempenham um papel essencial na prevenção do câncer. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente vacinas que protegem contra infecções virais diretamente ligadas ao desenvolvimento de tumores malignos, como a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) e a vacina contra a hepatite B. Manter a caderneta de vacinação em dia é uma atitude simples que pode salvar vidas, especialmente quando pensamos na prevenção de doenças oncológicas.

Vacina contra o HPV

O HPV é um dos vírus mais comuns transmitidos por via sexual e a infecção persistente por tipos oncogênicos é a principal causa do câncer de colo de útero, além de estar associada a tumores de vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe. A vacina contra o HPV é segura, eficaz e está disponível no SUS desde 2014, sendo recomendada prioritariamente para meninos e meninas de 9 a 14 anos. O esquema vacinal pode ser de dose única ou duas doses, conforme a faixa etária. Estudos demonstram que a vacinação em larga escala reduz significativamente a incidência de lesões pré-cancerosas, verrugas genitais e, a longo prazo, dos cânceres relacionados ao HPV. Homens também se beneficiam diretamente, já que a vacina previne o câncer de pênis e ânus e contribui para a interrupção da cadeia de transmissão do vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a meta de eliminar o câncer de colo de útero como problema de saúde pública até 2030, e a vacinação é a principal ferramenta para alcançar esse objetivo.

Vacina contra a hepatite B

A hepatite B crônica é uma das principais causas de cirrose hepática e câncer de fígado (carcinoma hepatocelular). A vacina contra a hepatite B é disponibilizada pelo SUS desde 1998 e pode ser aplicada em todas as idades, desde recém-nascidos até adultos que não foram vacinados. A imunização completa, com três ou quatro doses, oferece proteção superior a 90% contra a infecção. Com a ampla cobertura vacinal implementada no país, a incidência de novos casos de hepatite B e a mortalidade por câncer de fígado associado à infecção apresentaram queda expressiva. Crianças nascidas a partir dos anos 2000 já são rotineiramente vacinadas, representando uma conquista importante da saúde pública brasileira. Adultos que não se vacinaram na infância também devem buscar a vacinação nos postos de saúde.

Vacinas importantes para pacientes oncológicos

Pessoas em tratamento quimioterápico, radioterápico ou imunoterápico podem apresentar imunossupressão, o que as torna mais vulneráveis a infecções que podem agravar o quadro clínico. Nesse contexto, vacinas como a contra influenza (gripe), a pneumocócica e a da COVID-19 são recomendadas para prevenir complicações graves. O ideal é que o calendário vacinal seja discutido com o oncologista, respeitando os intervalos adequados e a condição imunológica de cada paciente. Familiares e cuidadores também devem manter a vacinação em dia para criar um ambiente de proteção indireta ao redor do paciente.

Vacinação na infância e adolescência

Grande parte das vacinas que previnem infecções associadas ao câncer são aplicadas nos primeiros anos de vida. Além das vacinas contra HPV e hepatite B, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) brasileiro oferece mais de 20 vacinas gratuitamente, sendo referência mundial. Manter a caderneta de vacinação atualizada desde a infância é uma forma de proteção que se estende por toda a vida adulta. Pais e responsáveis devem buscar informações em fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, e assegurar que crianças e adolescentes recebam todas as doses recomendadas.

Perguntas frequentes

As vacinas contra o câncer têm efeitos colaterais? Sim, são geralmente leves e temporários, como dor no local da aplicação, febre baixa e mal-estar. Efeitos graves são extremamente raros. O benefício da prevenção supera amplamente os riscos.

Quem está em tratamento contra o câncer pode se vacinar? Depende do tipo de tratamento e do estado imunológico. Na maioria dos casos, vacinas inativadas (como influenza e pneumocócica) são seguras e recomendadas. Vacinas com vírus vivos atenuados são contraindicadas. O oncologista deve ser consultado para orientação individualizada.

As vacinas previnem todos os tipos de câncer? Não. Elas previnem apenas os cânceres causados por infecções evitáveis por vacinas, como HPV (câncer de colo de útero, ânus, orofaringe, entre outros) e hepatite B (câncer de fígado). Outras formas de prevenção, como alimentação saudável, prática de atividade física e não fumar, continuam fundamentais. A vacinação é um complemento importante dentro de um estilo de vida saudável.

A vacinação é um gesto de cuidado consigo mesmo e com a comunidade. No Projeto AMIGOS, acreditamos que informação de qualidade e acesso à prevenção são direitos de todos. Consulte seu posto de saúde, mantenha seu cartão vacinal em dia e compartilhe esse conhecimento com quem você ama. Juntos, podemos construir uma cultura de prevenção que salva vidas.

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