A dor de estar longe da família no domingo durante o tratamento oncológico

A dor de estar longe da família no domingo durante o tratamento oncológico

O domingo chega com um silêncio diferente no hospital. O som das máquinas, o burburinho dos corredores e o cheiro do ambiente parecem mais intensos. A saudade de casa aperta o peito, principalmente quando a lembrança do almoço em família bate forte. O que antes era um dia de descanso e união, agora é preenchido por saudade, oração, ansiedade e espera.

Para muitos pais, além da preocupação com o filho doente, existe também a dor de estar longe dos outros filhos. A distância da cidade natal, às vezes de outro estado, e a limitação imposta pelo tratamento fazem com que o celular se torne o único elo com a vida que ficou para trás. E, pela janela, a cidade que não conhecem parece tão distante quanto o próprio lar.

É normal sentir tristeza, cansaço e até vontade de desistir. Mas respire fundo. Você tem enfrentado dias difíceis com coragem. Deus está presente, mesmo nos dias mais silenciosos e solitários. Ele vê cada lágrima, ouve cada oração sussurrada ao pé do leito.

Permita-se sentir saudade, mas não se entregue ao desânimo. Busque força na fé, conforto na oração e ânimo nas pequenas vitórias diárias. Lembre-se de que esse tempo no hospital tem um propósito: a busca pela cura. A casa continua lá, com seu cheiro, sua comida, seus sorrisos — e te espera de braços abertos.

Logo virá o dia em que você vai voltar. Vai deitar na sua cama, comer a comida que só você sabe o gosto, e viver com ainda mais gratidão. Até lá, que cada domingo seja um passo de fé e esperança. Você não está sozinho. Deus está contigo em cada detalhe.

💚Projeto AMIGOS

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Apesar das fortes chuvas no Recife e Região Metropolitana no sábado, 28 de junho, o Projeto AMIGOS conseguiu realizar mais uma visita ao Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (@naccrecife). Nesta visita, conhecemos novas crianças que iniciaram o tratamento do câncer e reencontramos outras que seguem firmes na caminhada. Foi uma das visitas mais delicadas, pois muitas estavam com a imunidade baixa por conta da medicação. Quando tinha apenas 6 anos, o ilustrador e arquiteto Fábio Zava foi diagnosticado com rabdomiossarcoma, um câncer agressivo e raro que atingiu sua mandíbula. A doença foi dolorosa: ele sentia dores intensas e sangramentos que pareciam tratar-se apenas de um dente; uma biópsia só confirmou o tumor que destruiu metade de sua mandíbula inferior. Após um ano de tratamento com quimioterapia e radioterapia, foi declarado curado, mas ficou com sequelas funcionais e estéticas profundas. Luciana Gambatto, 52 anos, foi diagnosticada com câncer de mama metastático em 2021, com metástase óssea já instalada. O tratamento incluiu quimioterapia e implantação de prótese na coluna, mas sem cirurgia mamária. Embora esteja fora da fase ativa da doença, as sequelas físicas e emocionais persistem, impedindo seu retorno ao trabalho. Em um quintal simples em Várzea Grande (MT), Edvam de Oliveira e Priscila Camargo construíram mais do que um lar: ergueram uma vida baseada no trabalho, na fé e na união. Casados há 36 anos, pais de três filhas e avós de um neto, o casal aprendeu seus ofícios de forma autodidata. Ele conserta eletrodomésticos, profissão que exerce há 25 anos, e ela é costureira, com um ateliê em casa que complementa a renda da família. Katie Cooper, de 32 anos, moradora da Grande Manchester, enfrentou o horror de um melanoma avançado após médicos descartarem seus sintomas como um simples “vírus de férias”. Já havia passado por melanoma anos antes — um nódulo removido atrás da orelha foi tratável, e os médicos garantiram que estava curada. Mas em março, após uma viagem à Disneyland Paris, dores intensas surgiram. A equipe de saúde atribuiu a mal-estar a uma virose, prolongando o sofrimento por cinco semanas, até que exames revelaram o pior: o melanoma havia retornado e se espalhado para ossos, coluna, pulmões, fígado, parede abdominal e ovários. O que poderia ter separado um casal, uniu ainda mais. Anally e Maurilio se conheceram aos 11 anos em Bálsamo (SP), frequentando a mesma igreja e construindo uma amizade de infância. Após anos afastados, voltaram a se aproximar em 2021. Em abril de 2022, oficializaram o namoro. Um mês depois, veio o diagnóstico: linfoma de Hodgkin no mediastino, um tipo raro de câncer no sistema linfático. Aos 27 anos, Anally enfrentaria 38 sessões de quimioterapia, 20 de radioterapia e um transplante autólogo de medula óssea. Maurilio, de 30 anos, decidiu permanecer ao lado dela em cada etapa da luta. Raspou a cabeça com ela, segurou sua mão, rezou junto e nunca a deixou sozinha.